Filme - O Pequeno Buda



 E meu primeiro filme do ano foi O pequeno buda, filme de1994.

Na semana entre o Natal e Ano Novo senti uma vontade súbita de conhecer um pouco mais sobre o budismo, como já fiz há mais de 20 anos, mas agora com uma conotação diferente: não quero estudar, quero apenas vivenciar. 

Nesta mesma semana ouvi uma série de podcast com a Monja Cohen, contando um pouco da sua história e apresentando alguns preceitos do Budismo. De tudo o que ouvi, o que mais me atrai é a questão do silêncio.

Não é de agora que tenho procurado tanto por silêncio. Desde o barulho da cidade, como o barulho no meu interior. Nos últimos meses vivi uma tormenta emocional muito grande, com muitas trovoadas, muito barulho, muitas vozes e isso intensificou minha vontade de silenciar. Eu sabia que precisava passar por todo esse barulho. No fundo, eu sabia. Assim como sabia, também, que quando eu conseguisse passar por essa turbulência, por esse caminho de música alta, impactante, forte e ensurdecedora, eu encontraria o silêncio que tanto busco. Na verdade, estou vivendo esse momento no presente, ainda caminhando pelo corredor da tormenta. Meu corpo tem até se manifestado fisicamente contra isso: tonturas, enxaquecas e náuseas, são sintomas corriqueiros do meu falatório mental.

Eu tenho por hábito ouvir meu corpo. Sempre tive. A tal da consciência corporal sempre esteve presente em mim, mesmo que eu passe períodos distante dela, sei que ela está lá. Meu corpo responde rápido a qualquer intervenção, seja para curar, seja para adoecer e, nesse período de muito barulho, estou conseguindo ouvir meu corpo com mais intensidade ainda. E ele me diz para descansar, para me movimentar, para me alimentar. Aliás, ele me diz exatamente como me alimentar, mas eu faço diferente e ele reage. Agora mesmo, eu sabia exatamente o que fazer, mas não fiz e a náusea está aqui, me fazendo companhia.

Sinto que o corpo fala através da mente também, e exatamente por isso, senti a vontade súbita de rever esse filme, de quase 30 anos de idade. Eu tinha em torno de 15 anos quando assisti a primeira vez e o ensinamento que ficou muito forte em mim foi o de esticar ou afrouxar demais as cordas do violão. O caminho é sempre o do meio. É verdade. É sempre o do meio. A gente passa pelos extremos para entender que o fluxo da vida em plenitude é o que equilibra, é o que conecta luz e sombra. 

Dogmas continuam me incomodando, mas os rituais me atraem cada vez mais. Antigamente eu ritualizava mais a minha vida, mas fazia isso seguindo cartilhas, livros, ensinamentos e até mesmo, gurus. Não sinto mais essa vontade. O que sinto agora é um imenso desejo de encontrar meu jeito, mesmo que inspirado em outras grandes vidas, de um ritual que faça sentido para meu bem-estar.

E manter rituais pessoais enquanto somos atravessados por questões alheias as nossas vontades e ao nosso próprio calendário é uma tarefa digna de Jornada da Heroína. Se tenho sentido dificuldade em atender aos chamados do meu corpo em relação a comida, imagina só a dificuldade que tem sido me manter firme aos chamados do coração para me ritualizar?! Realmente, esse deve ser um dos testes pelo qual tenho passado, assim como o pequeno Jesse, do filme, teve que passar até descobrirem que ele é uma das reencarnações de Buda.

E mesmo depois de tanto tempo, a mesma mensagem que me tocou nos anos 90 voltou a tocar hoje e vai ficar ecoando em meu coração, para que eu deixe de racionalizar e passe a sentir em plenitude, que o melhor caminho é o do meio.

Feliz 2023!

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