Há meros devaneios tolos a me torturar
Existe um rádio na minha cabeça e não é de hoje. Sou uma mulher musical e sempre estou cantarolando algo mentalmente. Isso cansa e ao mesmo tempo alivia. Às vezes eu ouço uma palavra e ela me remete a uma música e pronto, é o início de um looping.
Às
vezes eu vejo uma situação ou penso em algum fato e me vem um trecho de alguma
canção e pronto, mais um gatilho para passar horas ou até mesmo o dia com meu
radio interno ligado. Agora mesmo, enquanto estou escrevendo, varias musicas
rondam minha mente e eu quero escrever coisas diferentes, mas acabo caindo em
frases comuns, lugares comuns, rimas pobres e textos clichês. Mas eu juro que não
sou eu! É esse rádio que resolveu se instalar em meu cérebro e toma conta dos
meus pensamentos e dita uma programação às vezes caótica para eu seguir meu
dia.
Olha
só, agora mesmo me veio uma memória na cabeça pra eu escrever e, junto com essa
memória, veio a música da cena. Daí eu me movimentei pra arrumar a tela do
computador e a música já mudou e voltou a que estava antes. Uma loucura viver assim
o tempo todo. Isso deve ser uma parte fundamental do meu cansaço excessivo.
Vou
contar aqui um momento que ter um rádio na cabeça funciona super bem pra mim:
tem dias que acordo precisando de paz e aí vem uma musica calma, quase sussurrada,
que eu costumo ouvir – literalmente – no repeat no meu spotify. Eu considero
um mantra. Está na voz da Talma de Oliveira e ela só fala assim: “Sou de Nanã
Ewá, Ewá Ewá Ê”. Pronto. É só isso a música toda. E
quando ela vem na minha cabeça, parece que eu sinto um rio caldaloso passando pelo
meu corpo. Sim, é um rio que passa pelo meu corpo e não eu que passo pelo rio.
Sensações, gente, não tem muita lógica nisso!
Quando
começo a pensar e cantarolar essa música mentalmente, me vem o cheiro e as
cores de momentos que eu precisei usar essa música para ficar bem. E isso ainda
me faz um bem absurdo!
Tem
uma outra música que cantarolo vez ou outra e ela me lembra o cheiro e as cores
do momento exato em que eu descobri que tinha sido fisgada pelo coração. O
momento não tinha nada de romance. Absolutamente nada. Na verdade, estava um
silencio tremendo, uma certa tensão, pois eu estava dirigindo sob chuva na
estrada. Mas a música começou e parecia descrever o momento que estávamos
vivendo – individualmente – e que escolhemos compartilhar naquele instante.
Pronto, basta ouvir essa música, mesmo que em contextos bizarros, eu volto àquele
momento que considero mágico e sim, sinto saudades, porque foi um o silêncio que
precede o amor (Olha lá eu, agora parafraseando outra música. Eu digo que não
para! É infinito isso dentro de mim!!!)
Às
vezes a música da minha rádio mental é chata. E nessa minha rádio não há
julgamento algum sobre qualidade e estilo musical. Eu sinto que não tenho
escolha sobre isso. Mas fico super incomodada quando o que toca sem parar é uma
música que eu, racionalmente, não gosto. Porque é como se minha mente dissesse assim:
“Vou tocar essa coisa que ela julga chata pra ver se ela se mexe e toma uma
atitude” e aí eu tenho que agir sobre algo que estou postergando. Sei lá, o
cérebro da gente é bem dono de nossas atitudes.
Falei
a palavra cérebro e minha radio mental começou “o cérebro eletrônico faz tudo,
faz quase tudo, mas ele é mudo”. Tá vendo?! É assim que eu funciono! Como é que
posso passar um segundo em paz com tanto bombardeio de ideias e conexões assim?!
Ah!
Outra coisa que saquei também é que minha paixão por música brasileira passa
nesse lugar também. Se eu não entendo outro idioma, como é que vou conseguir
sentir o que a música fala? Daí meu rádio não toca! (Essa também é uma música
do Raul Seixas). Ai gente, só de escrevendo essas quase 700 palavras meu cérebro
já pensou em tantas músicas, fez viagens, sentiu cheiros, viajou nas cores,
tudo num átimo de segundo que deixa qualquer um enlouquecido.
O
que vou fazer com isso? Absolutamente nada! Quer dizer, não é bem assim. Vou
tentar praticar mais meditação para conseguir silenciar um pouco a rádio mental
e dormir com mais qualidade, acordar com mais tranquilidade e viver sem tantos
devaneios tolos a me torturar.
Comentários
Postar um comentário