Desliga, destela e desacelera
Desacelera. Destela. Desliga
O prefixo “des” caracteriza tudo aquilo que deve ser deixado
de fazer. É o antônimo da execução. E incluir o “des” na contemporaneidade é um
paradoxo, já que a vida nos pede aceleração, produtividade, entregas,
pontualidade, efetividade.
Há muitos séculos que narrativas pautadas no “des” são estereótipos
de falta de compromisso, maluco beleza, hippie, e coisa de gente à toa.
Incluir o “des” na vida é coisa de gente à toa. À toa de que?
À toa da massificação, do agito efervescente da multidão, da padronização
excessiva de processos orgânicos, da insistência em desviar (olha o “des” aí de
novo!) o curso da natureza.
A vida em si é padronizada e segue regras próprias. Muitos
estudiosos encontraram padrões na natureza que pensamento racional algum
conseguiria criar, como a famosa Sequência de Fibonacci. Conhecer esse padrão e
observá-lo auxilia na previsão de acontecimentos naturais: nascimento,
desenvolvimento, maturidade e declínio. Esse fluxo contínuo independe da ação
humana – embora muitos acreditam que tem a capacidade de interferir.
Quando nos permitimos estar à toa conseguimos observar este
ciclo da natureza.
Quando nos permitimos estar à toa conseguimos vivenciar este
ciclo da natureza.
Damos tempo para que ele aconteça dentro da gente, ou melhor,
ele sempre acontece, mas damos tempo para entender e sentir que ele acontece
dentro da gente.
Desligar, destelar e desacelerar são comportamentos
tradicionais, ancestrais e mágicos. Formas de afrontar este capitalismo (será
mesmo que existem outras formas dele?) e conectar à magia da vida fluida, orgânica
e alinhada com o natural.
Tudo isso é mesmo uma afronta, é mesmo hippie e de uma beleza
tão imensa que, dentro da racionalidade contemporânea, é considerada coisa de
maluco.
E como cantava um dos brasileiros mais malucos que conheci, “maluco
que sou, acordei: no dia em que a terra parou!”.
Como você imagina seu dia, no Dia em que a Terra Parar?
Por isso eu insisto: desliga, destela e desacelera.

Comentários
Postar um comentário