Deu errado do jeito certo
Arte de @johnn_.e
Pense em algo que quer muito
fazer. Um pensamento fixo que te acompanha do acordar ao dormir, invadindo até
seus sonhos. Às vezes não é nada demais, mas acaba que vira uma ideia fixa. Até
o dia que decide colocar em prática depois de ter feito todas as análises
mentalmente. Já sabe, teoricamente, ou, imaginariamente, quais os caminhos
devem seguir, então, executar é uma questão de simplesmente fazer e ponto.
Mas os anos de vida, os sábios
e agraciados anos de vida, te ensinaram que, se for fazer, faça direito. Cumpra
algumas regras básicas de organização e planejamento e, assim, economiza tempo,
dinheiro e minimiza a frustração.
E foi assim que comecei meu dia
hoje.
Levantei decidida a executar essa
ideia simples que está na minha mente há meses. Fiz um roteiro mental do que
precisava buscar, calculei – mentalmente – o que era necessário para ter um MVP
(produto mínimo viável) e executei. Executei e calculei. Usei uma planilha e preenchi
exatamente com os dados que se apresentavam para mim, com cada casa depois da
vírgula. E foi aí, depois do MVP entregue e os cálculos realizados que aquela
ideia fixa se transformou em frustração.
Me frustrei por não ter dado
certo e me senti orgulhosa por ter feito tudo do jeito certo.
Que eu me lembre, foi a primeira
vez em que fiz algo seguindo o script básico de testagem de um produto e que os
fatos me convenceram a ponto de eu não titubear na decisão de que não é hora de
investir nisso. Nem emocionalmente e, principalmente, financeiramente.
Isso não significa desistir,
abandonar e pular fora no primeiro problema, até porque, não foi um problema.
Na verdade, foi uma bela de uma solução! Está ali, na “ponta do lápis”,
mostrando que não é a hora. E os anos de vida, os sábios e agraciados anos
de vida, me ensinaram também que para tudo há um tempo e, quanto antes
aceitarmos isso, mais afortunados seremos.
Em nenhum momento romantizei esta
ideia simples e fixa em minha mente, achando que ela me proporcionaria viagens
internacionais, palestras para multidão e uma capa da Forbes Mulher.
Eu sabia que para executá-la eu
precisaria de um processo bem definido, precisaria de equipamentos, utensílios,
espaço adequado, clientes mapeados, estudo de concorrência e, sim, um
diferencial em meu produto, tão comum, tão popular e tão acessível, mas que precisaria
ser especial para que eu entrasse em um mercado já consolidado e conseguisse
conquistar uma fatia dos consumidores. E eu também sabia – e sei – que só de
ter consciência de todos esses passos, não sobra muito espaço para romantizar o
empreender, não é mesmo?!
Minha ideia fracassou porque eu a
executei, testei e comprovei com números que ela não seria viável nesse momento,
nem mesmo no modo artesanal. Ou, talvez, justamente por ser artesanal. E eu fiquei
feliz.
Senti que tive um dia altamente
produtivo. Um dos mais produtivos dos últimos tempos, pois eu fracassei do
jeito certo: testando. E me senti tão satisfeita com esse resultado! Estou tão
satisfeita que a ideia de fato ficou mais calma em minha mente, ela encontrou
seu lugar – neste momento – que é o de não ser concretizada nessas circunstâncias
e que, quem sabe, um pouco mais à frente, ela retorne e se torne viável e
suficientemente escalável?!
E além dessa frustração prática,
o acontecido do dia me deu um exemplo bem objetivo para compartilhar com as
pessoas que tem dificuldade em compreender a importância de se fazer um
planejamento simples e eficiente, baseado em fatos e não em sentimentos e
atitudes impulsivas.
Mas, se você acha que tudo isso é
pragmático demais, eu te digo que, os anos de vida, os sábios e agraciados
anos de vida, me ensinaram que agir com emoção e ouvir a intuição é a
intersecção entre o discernimento de que tudo posso, mas nem tudo me convém.
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