Coexistir
Eu estava aqui, agora mesmo,
sentada no sofá vendo um filme e observei que tem uns parasitas no tronco da
planta ao lado da TV. De longe pude observar que esses parasitas estão nas
folhas também. Daí vi uma mosquinha, dessas bem pequeninas, rondando a planta,
pousando lá e depois voando pela sala.
Fiquei pensando que a planta, o
parasita e a mosquinha nem sabem da minha existência. E estão lá, vivendo seus
ciclos de vida-morte-vida dentro da casa em que habito. Enquanto eu vejo TV,
eles se alimentam, se reproduzem, brigam um com o outro – imagino eu que seja
por sobrevivência e a gente nem deveria usar esse termo “briga”, mas eu não encontro
outro no momento.
De certa forma, nós coexistimos,
pq eles estão aqui pq eu, humana que sou, montei esse ambiente para que esse
ecossistema pudesse existir. Sem contar os ácaros que estão no sofá, no tapete
e na cortina.
Poeira é algo que me incomoda. Ou
melhor, incomoda os bichinhos existentes na pelugem do meu nariz, que coça sem
parar quando entram em contato com aqueles pontinhos quase invisíveis que ficam
flutuando no ar ou sobem quando limpamos a mesa, sacudimos o lençol, batemos as
almofadas etc.
Eu fiquei brisando nisso hoje,
pensando em como será a vida dessas vidas além da minha? Dividimos o mesmo
ambiente e não nos conhecemos “oficialmente”. Ou nos conhecemos tão
profundamente, afinal, nos alimentamos uma das outras, que a gente nem precisa
se conhecer racionalmente, pois só o fato de existirmos juntas e não adoecermos,
significa que fazemos bem umas as outras?
Ah, sei lá qual é exatamente. Mas
sei que pensar que tem uma vida além da minha e que coexiste com a minha me fez
pensar também que qualquer movimento que eu faça em casa, de limpeza, de
mudança de lugar, de vaso etc, influencia nesse ecossistema doméstico.
Agora, nesse exato momento, me reservo ao direito de dizer que escolhi preservar a sobrevivência
desse ecossistema e não farei nenhuma alteração em sua lógica, assim poderei
passar mais tempo no sofá, terminando de ver meu filme.
O nome disso é preguiça.
Comentários
Postar um comentário