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Mostrando postagens de janeiro, 2023

Um dia perfeito

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Eu sinto quando vivem no automático comigo. E eu percebo quando é especificamente comigo. Eu sinto quando não querem de desagradar com muito mais facilidade do que quando querem me agradar. Fica muito perceptível no olhar, na respiração, nos movimentos involuntários do corpo. Em uma resposta de “sim” e “não”, o tom se altera, a voz fica distante, como se não soubesse para quem e para o que está respondendo. Eu aprendi a ler os sinais porque já vivi isso mais de uma vez. Eu aprendi a ler os sinais porque me conheço muito bem a ponto de saber quando sou eu quem estou no automático comigo ou com outras pessoas. O brilho no olhar se vai, as ações são involuntariamente calculadas, tudo tem um tempo, um timing específico, como se fosse necessário cumprir uma tarefa da lista. Racionalmente não há falta de amor e nem de sentimento. Racionalmente está tudo sob controle , ele mesmo, o tal controle dos nossos sentimentos. A doce ilusão que Deus deixou para brincarmos entre nós. E tem u...

A ansiedade está no “lá”

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Quanto mais o tempo passa, mais caixinhas vão sendo criadas para organizar aquilo que somos. Caixinhas mesmo. Cada caixinha, um nome: p rodutivo, p rocrastinador, r esiliente, i novador, l íder, g estor... e por aí vai. Como se não bastassem as caixinhas com nomes, elas vão se atualizando, sofrendo um   upgrade   e recebendo sobrenomes, tais como: 2.0, 3.1, 4.0 etc (sabemos que os números são infinitos). Eu mesma já fui uma mulher que me categorizava. Uma mulher que colocava o nome da caixinha no espelho e traçava rotas para alcançar. Depois, eu acrescentava um número ao lado e me desafiava em nova rota para “chegar lá”. E esse "lá" é sempre lá, num futuro, acessível, porém distante. Sempre no amanhã. A ansiedade impera, a sensação de insuficiência reina, as atitudes sabotadoras tomam à frente. A prevalência global de ansiedade e depressão aumentou em 25% , de acordo com a OMS, isso só no primeiro ano de pandemia, portanto, estou longe de estar sozinha nesse cenário, infeliz...

Sonhei em ser

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@nina.barnini Sonhei em ser escritora Mas o que eu queria mesmo era ser professora Sonhei em ser nutricionista Biomédica Empresária Executiva Mas o que eu queria mesmo era ser professora Li, estudei, escutei, falei Aprendi e ensinei Me forjei Me feri Me entreguei Mas o que eu queria mesmo era ser professora Hoje escrevo versos, crônicas, cartas, memorandos Projetos, processos, relatórios Escrevo post, e-mail e stories Palavras que sozinhas nada dizem e Que quando juntas dizem menos ainda Eu sempre quis ser professora Mas hoje percebo que estou me tornando escritora

Filme - O Pequeno Buda

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 E meu primeiro filme do ano foi O pequeno buda , filme de1994. Na semana entre o Natal e Ano Novo senti uma vontade súbita de conhecer um pouco mais sobre o budismo, como já fiz há mais de 20 anos, mas agora com uma conotação diferente: não quero estudar, quero apenas vivenciar.  Nesta mesma semana ouvi uma série de podcast com a Monja Cohen , contando um pouco da sua história e apresentando alguns preceitos do Budismo. De tudo o que ouvi, o que mais me atrai é a questão do silêncio. Não é de agora que tenho procurado tanto por silêncio. Desde o barulho da cidade, como o barulho no meu interior. Nos últimos meses vivi uma tormenta emocional muito grande, com muitas trovoadas, muito barulho, muitas vozes e isso intensificou minha vontade de silenciar. Eu sabia que precisava passar por todo esse barulho. No fundo, eu sabia. Assim como sabia, também, que quando eu conseguisse passar por essa turbulência, por esse caminho de música alta, impactante, forte e ensurdecedora, eu enco...